Como escolher um cirurgião plástico em Goiânia: o checklist de verificação que toda paciente deveria fazer

Como escolher um cirurgião plástico em Goiânia: o checklist de verificação que toda paciente deveria fazer

Por Dra. Nathália Castro, cirurgiã plástica pela SBCP | CRM-GO 38044 | RQE 57457

Toda semana eu recebo no consultório uma paciente que chega com a mesma frase: pesquisou muito, viu vários perfis, conversou com amigas e ainda assim continua insegura sobre em quem confiar. Depois de anos operando em Goiânia e acompanhando cada paciente por seis meses de pós-operatório, posso dizer que essa insegurança tem uma causa bem concreta, visto que quase tudo o que está disponível na internet sobre escolher cirurgião fala de resultado, de estilo e de portfólio, enquanto a informação que realmente protege a paciente é documental, pública e leva menos de cinco minutos para ser conferida.

Este artigo é justamente esse caminho. Vou mostrar quais são os quatro registros que definem um cirurgião plástico no Brasil, onde consultar cada um deles gratuitamente, o que os dados dos conselhos de medicina revelam sobre operar com quem não tem especialização, e quais perguntas levar para dentro do consultório. Ao final, a decisão continua sendo sua, porém ela passa a ser tomada com informação verificável em vez de impressão.

Sou a Dra. Nathália Castro, médica, CRM-GO 38044, RQE 57457, cirurgiã plástica atuando em Goiânia com foco em contorno corporal e cirurgia de mama.

Por que “melhor cirurgião plástico de Goiânia” não é a pergunta que protege você

Essa é, de longe, a busca mais feita por quem procura cirurgia plástica na cidade. O problema dela não está na intenção, que é legítima, mas no fato de que nenhum médico no Brasil pode se anunciar como o melhor. A Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, veda expressamente a autopromoção e o uso de expressões de superioridade na publicidade médica. Portanto, qualquer profissional que se apresente dessa forma já está, no primeiro contato, descumprindo a norma que deveria proteger você.

Existe, ainda, um detalhe mais prático. Ranking de “melhor” na internet costuma ser produto de anúncio pago ou de otimização de site, e não de auditoria de credencial. Assim, em vez de procurar quem ocupa o topo de uma lista, o caminho mais seguro é aprender a verificar quem cumpre os requisitos legais e técnicos. É uma troca de perguntas que muda completamente o resultado da busca.

Os quatro registros que definem um cirurgião plástico no Brasil

Existe uma confusão bastante comum entre “médico que faz cirurgia plástica” e “cirurgião plástico”. Legalmente, qualquer médico com CRM ativo pode realizar procedimentos cirúrgicos, o que não significa que ele tenha formação específica em cirurgia plástica. A diferença entre as duas situações está registrada em quatro documentos públicos.

1. CRM ativo no estado onde a cirurgia vai acontecer

O Registro no Conselho Regional de Medicina é a licença básica para exercer a profissão. Ele precisa estar ativo e precisa ser do estado onde o atendimento acontece. Um médico que atende em Goiânia deve ter registro no CRM-GO, ainda que tenha se formado em outro estado.

2. RQE em Cirurgia Plástica

O RQE, sigla de Registro de Qualificação de Especialista, é o número que comprova que aquele médico tem título de especialista reconhecido e registrado no conselho. Um médico pode ter vários RQE, um para cada especialidade que efetivamente concluiu.

Aqui está o ponto que quase ninguém explica à paciente: desde a Resolução CFM nº 2.336/2023, quando o médico divulga uma especialidade ele é obrigado a informar o número do RQE correspondente, e quando não possui título registrado ele deve indicar a expressão “NÃO ESPECIALISTA”, em caixa alta, na própria publicidade. Ou seja, a própria norma criou um sinal visível. Perfil que anuncia cirurgia plástica sem RQE ao lado do CRM é um alerta imediato.

3. Título de especialista por residência ou prova

Para obter o RQE em cirurgia plástica, o médico precisa ter concluído residência médica credenciada na Comissão Nacional de Residência Médica ou ter sido aprovado na prova de título aplicada pela sociedade de especialidade filiada à Associação Médica Brasileira. Não existe caminho de curso rápido, de pós-graduação livre ou de certificado de workshop que gere RQE em cirurgia plástica.

4. Filiação à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

A SBCP não é um órgão obrigatório, então a filiação funciona como uma camada adicional de confirmação. Para ser membro, o cirurgião precisa comprovar a formação completa e ser aprovado no processo da própria sociedade. A SBCP mantém uma busca pública de cirurgiões filiados, o que permite conferir em segundos se o nome que você está considerando aparece na lista.

Como verificar o RQE em dois minutos

Este é o passo mais importante do artigo e é totalmente gratuito.

  1. Acesse o portal de consulta de médicos do Conselho Federal de Medicina, em portal.cfm.org.br/busca-medicos.
  2. Digite o nome completo do médico e selecione o estado. Para Goiânia, selecione Goiás.
  3. Abra o resultado e observe três campos: se a situação do registro está ativa, qual especialidade consta e se existe um número de RQE vinculado a ela.
  4. Confira se a especialidade escrita ali é literalmente Cirurgia Plástica. Especialidades vizinhas, como dermatologia, otorrinolaringologia, cirurgia geral ou ginecologia, são formações respeitáveis e não equivalem a cirurgia plástica.

Se a busca não retornar RQE em cirurgia plástica, isso não significa que o profissional seja mal-intencionado, e sim que ele não tem o título de especialista registrado naquela área. Cabe a você decidir se quer prosseguir sabendo disso.

Para completar, faça a mesma checagem na SBCP, em cirurgiaplastica.org.br/encontre-um-cirurgiao, buscando pelo nome. A sociedade orienta que a paciente confirme registro ativo no CRM e filiação antes de fechar qualquer procedimento.

O que os números dos conselhos revelam sobre operar com quem não é especialista

Essa parte costuma incomodar, porém é informação de saúde pública e ela existe justamente para orientar a escolha.

Um levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp, 2026) mostrou que as complicações registradas em procedimentos estéticos realizados por médicos saltaram de 2.830 casos em 2023 para 4.002 em 2025, um aumento de 41,4%. Entre 2024 e 2025, entre profissionais que não são médicos, os casos passaram de 248 para 472, o que representa um crescimento de 90,3%.

O Conselho Federal de Medicina, por sua vez, registrou 9.566 casos de exercício ilegal da medicina entre 2012 e 2023, e 61% deles envolviam procedimentos estéticos (CFM, citado pelo Cremesp, 2026).

A leitura que eu faço desses números, como cirurgiã, é bem direta. O crescimento acelerado das complicações acompanha a popularização dos procedimentos estéticos, e a curva mais acentuada aparece exatamente entre quem tem menos preparo para reconhecer e tratar uma complicação. Boa parte do trabalho de um cirurgião plástico com formação completa está justamente naquilo que ninguém mostra em vídeo, ou seja, na capacidade de identificar precocemente um hematoma, um sofrimento de pele, uma trombose ou uma infecção, e de resolver o problema sem que ele evolua.

Os doze anos de formação que explicam o custo da cirurgia

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o cirurgião plástico habilitado percorre seis anos de graduação em Medicina, seguidos de três anos de residência em cirurgia geral e mais três anos de residência em cirurgia plástica, o que soma no mínimo doze anos de formação antes de operar de forma independente.

Trago esse dado por um motivo prático. Quando uma paciente compara orçamentos e encontra uma diferença muito grande entre dois valores, a explicação raramente está na margem de lucro do cirurgião. Ela costuma estar em alguma dessas variáveis: a formação de quem opera, a estrutura do local onde a cirurgia acontece, a presença de um anestesista dedicado, a qualidade do material implantado e a extensão do acompanhamento pós-operatório. Entender essa composição ajuda a comparar propostas pelo que elas realmente entregam, em vez de compará-las apenas pelo número final.

Onde a cirurgia acontece pesa tanto quanto quem opera

A SBCP é explícita nesse ponto e recomenda que a paciente confirme se a clínica ou o hospital tem infraestrutura adequada, licenciamento em ordem e conformidade com as normas de vigilância sanitária, alertando que procedimentos feitos em locais inadequados elevam de forma significativa o risco de complicação.

Na prática, vale perguntar de forma bem objetiva: em qual hospital a cirurgia será realizada, se o local tem centro cirúrgico com estrutura para intercorrência, se existe leito de internação disponível, quem é o anestesista responsável e se ele é médico com RQE em anestesiologia. Um cirurgião preparado responde isso sem hesitação, porque essas informações fazem parte da rotina dele.

As sete perguntas para levar na sua consulta

Anote e leve. Nenhuma delas é indelicada, e a forma como o profissional responde diz muito.

  1. Qual é o seu RQE em cirurgia plástica e em qual conselho ele está registrado?
  2. Você é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica?
  3. Em qual hospital essa cirurgia será feita e qual a estrutura disponível lá?
  4. Quem será o anestesista e qual a formação dele?
  5. Quantas vezes você realiza essa cirurgia específica por mês?
  6. Como funciona o acompanhamento depois da alta, por quanto tempo e com quem?
  7. Quais complicações são possíveis nesse procedimento e como elas seriam conduzidas se acontecessem?

A sétima pergunta é a mais reveladora de todas. O profissional que trata complicação como assunto proibido tende a não estar preparado para conduzir uma, ao passo que quem explica riscos com naturalidade normalmente já construiu protocolo para lidar com eles.

Cinco sinais de alerta

  • Anúncio com promessa de resultado, com garantia de satisfação ou com linguagem de superioridade, o que contraria diretamente a Resolução CFM nº 2.336/2023.
  • Especialidade divulgada sem número de RQE ao lado.
  • Orçamento fechado por telefone, por mensagem ou antes de qualquer exame, sem consulta presencial ou por vídeo.
  • Pressão para decidir na hora, com desconto que vence no mesmo dia.
  • Cirurgia agendada em consultório ou em clínica sem estrutura de centro cirúrgico e sem retaguarda hospitalar.

Aplicando o checklist em Goiânia

Goiânia tem hoje centenas de médicos oferecendo procedimentos estéticos, distribuídos principalmente pelos setores Marista, Bueno, Oeste e Central. Esse volume é uma boa notícia em termos de acesso, mas ele também torna a verificação individual indispensável, dado que a quantidade de opções dificulta a comparação apenas por reputação nas redes sociais.

Meu conselho é bastante simples. Antes de agendar, separe dois ou três nomes que você admira, rode a checagem do CRM e do RQE no portal do CFM, confirme a filiação na busca da SBCP e só então marque a consulta. Depois disso, leve as sete perguntas. Você vai perceber que a conversa muda de qualidade, porque uma paciente informada faz o profissional entrar em outro nível de detalhe técnico.

E se, ao longo desse processo, você concluir que precisa de mais tempo para decidir, isso também é uma resposta legítima. Cirurgia plástica é procedimento eletivo, portanto ela pode e deve esperar até que você esteja segura da escolha.

Perguntas frequentes

Qualquer médico pode fazer cirurgia plástica no Brasil?

Do ponto de vista legal, um médico com CRM ativo não é impedido de realizar procedimentos cirúrgicos. No entanto, apenas quem concluiu residência credenciada na CNRM ou foi aprovado na prova de título da sociedade filiada à AMB pode se apresentar como especialista em cirurgia plástica e possuir RQE nessa área.

Como sei se meu cirurgião tem RQE em cirurgia plástica?

Consulte gratuitamente o portal de busca de médicos do Conselho Federal de Medicina, em portal.cfm.org.br/busca-medicos. Digite o nome completo, selecione o estado e verifique se a especialidade registrada é Cirurgia Plástica e se existe um número de RQE vinculado a ela.

Qual a diferença entre CRM e RQE?

O CRM é a licença para exercer a medicina e todo médico tem um. O RQE comprova título de especialista em uma área específica, então apenas médicos que concluíram a formação naquela especialidade possuem RQE nela.

Ser membro da SBCP é obrigatório?

Não é obrigatório por lei, visto que o registro exigido é o do conselho de medicina. A filiação funciona como confirmação adicional, porque a sociedade exige comprovação da formação completa para aceitar o membro.

Quantos anos de formação tem um cirurgião plástico?

Pelo padrão descrito pela SBCP, são no mínimo doze anos, somando seis anos de graduação em Medicina, três anos de residência em cirurgia geral e três anos de residência em cirurgia plástica.

Preço mais baixo significa risco maior?

Não automaticamente, porém a diferença precisa ser explicada. Vale entender o que está incluso em cada proposta, especialmente a estrutura hospitalar, o anestesista, o material utilizado e o tempo de acompanhamento pós-operatório, dado que são esses itens que costumam responder pela variação de valor.

O que fazer se eu já operei com alguém sem especialização e estou com problema?

Procure imediatamente um cirurgião plástico com RQE para avaliar o quadro clínico e, se houver indício de exercício irregular da profissão, registre denúncia no Conselho Regional de Medicina do seu estado.


Aviso importante: Este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico, avaliação e orientações específicas para o seu caso, consulte sempre um médico especialista habilitado.


Sobre a autora

Dra. Nathália Castro é cirurgiã plástica com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Atende na Clínica Valerie, em Goiânia (GO), com foco em resultados naturais e planejamento cirúrgico individualizado. CRM-GO 38044 | RQE 57457.